quinta-feira 26 de agosto de 2010, por Pedro Biondi
Textos publicados em julho e agosto rendem homenagem a Aloysio Biondi e lembram os dez anos de ausência do jornalista revisitando sua obra.
“Embrutecemos. A sociedade brasileira embruteceu. Os meios de comunicação embruteceram. Nós, jornalistas, embrutecemos. (...) Os governantes atuais não se importam mais com o povo, o ser humano. Mas todos também somos culpados. Por silenciar. Por ficar de braços cruzados. Embrutecemos, sim.” O trecho, de artigo publicado em 2000 no Diário Popular, é o mote de abertura de matéria da Revista do Brasil.
Com o título “Há dez anos, um vazio”, é assim introduzida: “Ícone do jornalismo crítico e analítico, Aloysio Biondi se foi sem deixar substitutos”.
Ali, o jornalista Vitor Nuzzi avalia: “Passados dez anos, as análises e comentários de Biondi, sempre baseados em dados e números, não em palpites, ainda fazem falta. Especialmente quando se lembra de que, aliado ao rigor técnico, eram textos acessíveis, sem a praga do economês, escritos por alguém que não ficou de braços cruzados.” Nuzzi lembra a doação do acervo do jornalista ao Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae), da Universidade de Campinas (Unicamp).
No artigo "O sorriso de Biondi", na Agência Carta Maior, o cientista político Antonio Lassance retoma a contribuição do jornalista ao debate em torno da Telebrás. Comentando a reativação da estatal e a reação de seus opositores, ele aponta nos questionamentos uma “falta de contextualização primária”.
“Até hoje, a melhor forma de contar essa história e travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, O Brasil Privatizado: Um Balanço do Desmonte do Estado”, anota o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Para ele, Aloysio Biondi foi “um monstro sagrado do jornalismo brasileiro, grande mestre do jornalismo econômico”.
Continua Lassance: “O Brasil Privatizado abria seu capítulo ‘As estatais: sacos sem fundo?’ justamente falando da Telebrás. Biondi relembrava que, entre 1996 e 1997, a empresa teve um salto de 250% em seu lucro, desmentindo categoricamente a mensagem fabricada de que as estatais só davam prejuízo. No livro que tornou-se um clássico para a compreensão sobre o que fizeram com o Brasil nos anos 90, Biondi contextualizava que tanto os prejuízos quanto os lucros das estatais tinham sido fabricados para atender a interesses muito bem identificados.”
O pesquisador cita trecho da página 30 de O Brasil Privatizado: “Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Explicam-se, assim, as filas de espera para os telefones, ou as constantes ameaças de ‘apagões’ no sistema de eletricidade. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por ‘incompetência’. Como também é mentira que ‘o Estado perdeu sua capacidade de investir’, como diz a campanha dos privatizantes. O que houve foi uma política econômica absurda, que sacrificou as estatais.” O livro pode ser lido e baixado aqui.
Além disso, o Blog da Fundação Perseu Abramo reuniu conteúdos produzidos por Aloysio Biondi ou referentes a ele. Foi a editora da entidade que publicou o livro do jornalista, que superou a marca de 140 mil exemplares vendidos.
Por fim, a revista Reflexos da Privatização, editada pelo Sindicato dos Engenheiros no Paraná, traz reportagem de capa sobre o processo de venda das estatais, classificando-o como “um jogo de cartas marcadas”.
O material usa dados do levantamento feito por Biondi, e reproduz um parágrafo do livro referente às ferrovias: “Desde o final dos anos 60, o governo frequentemente usou as estatais para ‘segurar’ a inflação ou beneficiar certos setores da economia, geralmente por serem considerados ‘estratégicos’ para o país. Como assim? Houve períodos em que o governo evitou reajustes de preços e tarifas de produtos (como o aço) e serviços fornecidos pelas estatais, na tentativa de reduzir as pressões e controlar as taxas de inflação. Esses ‘achatamentos’ e ‘congelamentos’ foram os principais responsáveis por prejuízos ou baixos lucros apresentados por algumas estatais, que passavam a acumular dívidas ao longo dos anos – sofrendo então nova ‘sangria’, representada pelos juros que tinham de pagar sobre essas dívidas. Certo ou errado, as estatais foram usadas como arma contra a inflação por governos que achavam que o combate à carestia era a principal prioridade do país.”
segunda-feira 2 de novembro de 2009, por Pedro Biondi
Na manhã de 21 de outubro se encerrou o capítulo de nove anos de organização caseira do arquivo de Aloysio Biondi.
Às 10 horas da quarta-feira, as mais de 50 caixas que compõem o acervo do jornalista deixaram a residência dos Leite Biondi rumo à Unicamp.
Ao lado de Antonio e Bia Biondi e Angela Leite, participaram dessa empreitada final Valdomiro Theodoro Ramos e José Irvando Moraes da Silva, da transportadora José Roque, de Osasco, entre outras pessoas que ajudaram na retirada das caixas.
O material chegou ao Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae), do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde foi recebido pela equipe agora responsável pela guarda e organização do arquivo.
Em breve, após passar por processos de limpeza e tratamento, o acervo, pouco a pouco, será disponibilizado ao público em geral.
Saiba mais sobre a produção de Biondi e a doação à universidade.
quarta-feira 30 de setembro de 2009, por Pedro Biondi
Texto de Aloisio Milani e Pedro Biondi sobre a doação do acervo à Unicamp, publicado no site da Carta Capital em 29 de setembro
O acervo pessoal de Aloysio Biondi tem de tudo um pouco da vida de jornalista – pelo menos do que era típico para uma geração analógica. Uma remington esverdeada, anotações pessoais, pilhas sem-fim de informação e um cancioneiro. Na realidade, alguns poucos long-plays. No meio deles, um de Adauto Santos, cantor e compositor meio caipira meio sambista. Com voz de veludo. O disco se chama Nau Catarineta, lançado pela gravadora Marcus Pereira nos idos de 1974. Ano ainda de ditadura. E Biondi escrevia no jornal Opinião.
Na contracapa do disco, um círculo de caneta azul marcava a música 2 do lado A. Não há anotação alguma. Só um risco sobre a composição "De mala e cuca", composta por Adauto e parceiros. Sem mais pistas da anotação, a solução é ouvir. Na vitrola: “Cheguei de mala e cuca nessa capital / O carro, a placa, o prédio, a morte no jornal / Fecharam meu sorriso, calaram minha voz / Selaram meu futuro, onde estamos nós? / Estrada, terra e mato. Nuvem de poeira / Levando a minha vida para o meu lugar”. Coincidência ou não, a música parece com o que Aloysio Biondi viveu.
Morto há nove anos, Biondi deixa saudade para quem busca nos jornais um olhar crítico e diferenciado da claque do poder e dos seus governantes. Veio para a vida em 1936 na pequena Caconde, interior de São Paulo. Criou-se em São José do Rio Pardo e se afundou no jornalismo paulistano até o pescoço depois dos 19 anos. Sem diploma em universidade (cursou e não concluiu, na capital, sociologia e política). Mas com sede de informação e conhecimento amplo. Passou pelas principais redações brasileiras. Seus debates públicos lhe deram inimigos e admiradores. Durante a ditadura militar, ganhou dois prêmios Esso de jornalismo na contracorrente. Como escreveu na revista Visão, de 1967, o “clima de fraseado vazio (...) tem o demérito de manter a opinião pública completamente desinformada do que está acontecendo”.
Saber sua trajetória no jornalismo e na vida pública é mais fácil para quem tem mais de 50 anos. Especialmente para alguns – o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seus escudeiros Pedro Malan e Gustavo Franco... Para conhecer (ou recordar) um pouco mais, basta acessar o sítio eletrônico do projeto que família e amigos desenvolvem para digitalizar a obra do jornalista – www.aloysiobiondi.com.br. Com algumas buscas por palavras-chave, dá para ler um pouco da história brasileira pelo olhar de Aloysio Biondi. Não é pouco...
Chega-se, por exemplo, a um texto do Opinião, de 29 de julho de 1974. “O fio da meada” é o título. Na abertura, Biondi faz uma digressão literária para explicar o novo capitalismo agrícola diante do petróleo em crise. Cita o Marco Zero, do escritor Oswald de Andrade. “O preto caiçara plantava seu arrozinho, comprava fiado na venda do turco, vinha a safra, pagava a dívida — ou deixava ’para o ano’, se a colheita era ruim. Surgiu o japonês. Ofereceu financiamento, mandou assinar recibo. A safra foi ruim. O caiçara entregou sua terra em pagamento da dívida, e foi ser empregado do japonês. Nos anos 20”. A história se repetiu para os gaúchos depois. Leia lá no original a continuação...
Hoje em dia, qualquer país tem suas versões oficiais constantemente bombardeadas por registros e contradições de populares e de vozes dissonantes de governos e partidos. Daí a importância de se reler o passado. Acervos de intelectuais formam, assim, mais uma ferramenta para se refletir a cultura, a política e a sociedade. Se em 1974, Biondi citou o modernista Oswald, agora seu arquivo pessoal vai repousar a poucos metros de distância do dele, num centro de documentação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Na assinatura da doação do arquivo de Aloysio Biondi à universidade, no dia 18 de setembro, outras coincidências foram citadas como elos para que o acordo se concretizasse. Uma delas – daquelas felizes, diga-se – revelou-se logo após a cerimônia: o jornalista também será vizinho do escritor Monteiro Lobato, que ele sempre citou como um dos autores cuja obra propiciou sua formação na juventude, particularmente no que diz respeito à perspectiva de desenvolvimento do Brasil como povo, Estado e nação. Juventude? Numa entrevista aparece referência à leitura, aos 8 anos, de O Escândalo do Petróleo e Ferro.
Também Hilda Hist, Brito Broca, Bernardo Élis, Paulo Duarte e o professor que dá nome ao espaço moram ali, no Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio (Cedae), ligado ao Instituto dos Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. O Cedae conta com diversas outras memórias, coleções e acervos, que fazem dele um importante centro dedicado às manifestações das línguas faladas no Brasil - além de reunir relevantes fontes para o conhecimento da cultura brasileira e da história recente do país.
"Algumas coincidências foram chave para essa sintonia”, disse, sobre a doação, o secretário estadual de Ensino Superior de São Paulo, Carlos Vogt, que responde pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Ele listou a convivência com Aloysio Biondi em algumas redações, que permitiu saber mais sobre o acervo do jornalista; o contato com parentes de Biondi em diferentes situações; e a existência de uma linha de mestrado em jornalismo científico, cultural e literário.
Vogt incluiu na lista de coincidências os debates públicos que Aloysio Biondi travou via imprensa com destacados economistas da Unicamp, a exemplo de João Manuel Cardoso de Mello e Luiz Gonzaga Belluzzo: "Foram muitas polêmicas públicas e também, às vezes, alguns consensos". Sempre citada por Biondi como "mestra", Maria da Conceição Tavares foi outra debatedora histórica da casa.
Tais discussões, concentradas no período da ditadura militar, foram lembradas no dia pelo coordenador do projeto coletivo de memória do jornalista, Antonio Biondi. A iniciativa já dura nove anos e é a responsável pela manutenção – ou, em muitos casos, recuperação – do material que o homenageado arquivava. Trata-se de muitas prateleiras de revistas, livros, censos e, principalmente, jornais. "Falo aqui não só por mim, mas em nome de familiares e muita gente que ajudou a organizar a obra do Aloysio até agora", disse Antonio.
"O projeto O Brasil de Aloysio Biondi tem a participação de cerca de 200 pessoas e só eles sabem o que se passou nesses anos em que engolimos muito pó para organizar esse trabalho. Organizamos festas para arrecadar fundos e contamos com muita gente para lançar um site com a obra dele também." Na página eletrônica, estão disponíveis mais de mil textos do jornalista, além de testemunhos, fotos, vídeos e reproduções de originais dos artigos publicados em mais de 20 veículos.
"A importância de Aloysio Biondi para o jornalismo é extremamente grande", analisou Carlos Vogt. "Ele produziu no calor da hora uma obra, O Brasil Privatizado - Um Balanço do Desmonte do Estado (Editora Fundação Perseu Abramo, 1999), que contribuiu muito para entender o processo de transformação do Estado e do país." O secretário do governo Serra concluiu que a doação tem valor tanto pessoal quanto geracional.
O diretor do IEL, Alcir Pécora, elogiou a decisão da família, compartilhada com os participantes do projeto: "Geralmente, no Brasil, os familiares de escritores e personalidades mais atrapalham que ajudam as pesquisas sobre a obra. Então, o que vemos hoje aqui, na doação do acervo do Aloysio Biondi, é um ato de desprendimento, de doação, que vai reverter em mais pesquisas sobre a sua obra, seu legado."
"A doação do acervo é uma forma de dar continuidade ao espírito de luta que caracterizou o trabalho do Aloysio Biondi, que sempre revelou esse engajamento na vida pública pelo jornalismo", complementou o coordenador do Cedae, Jefferson Cano. A seu ver, o acervo também coloca em outro patamar o mestrado relacionado a jornalismo científico, cultural e literário. "Isso abre um novo espaço de discussão e que pode formar uma nova área de pesquisa." Leia entrevista com o professor aqui.
E por falar em continuidade, em 2000 Biondi confidenciou a alunos de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero que pretendia continuar a saga da pesquisa de O Brasil Privatizado. O foco seria num dos setores que mais o incomodavam nos últimos tempos: o do petróleo, que teve destaque em sua leitura. Qual a função da estatal Petrobras? Quais as artimanhas para entregar essa riqueza à iniciativa privada? Qual a conta que todo brasileiro deveria fazer para saber por que o governo deveria ser o grande explorador das reservas? Seria ouro para uma nação que discute novas leis para os recém-descobertos campos do pré-sal. Já no que ele produziu se encontram muitos elementos para o debate.
Voltando à doação: assinado o documento, agora cumpre somente transportar o material de São Paulo para Campinas - tarefa que as equipes do Cedae e do projeto em memória do jornalista pretendem encaminhar o quanto antes. Enquanto isso, o armário deslizante de número 17, adquirido recentemente pelo centro de documentação, recebe os últimos ajustes antes de acolher o acervo de Biondi. Fica para o leitor a pergunta - até o momento não respondida, sequer pela história: afinal, coincidências existem?
segunda-feira 28 de setembro de 2009, por Pedro Biondi
Na assinatura da doação do arquivo de Aloysio Biondi à Unicamp, a abertura de um novo espaço de discussão e a possibilidade de inaugurar uma nova área de pesquisa foi destacada pelo professor Jefferson Cano, coordenador do Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio (Cedae), onde a produção do jornalista ficará abrigada – e, em breve, disponível para consulta.
Ele explica que a estrutura do Cedae, ligado ao Instituto dos Estudos da Linguagem (IEL), passou por adaptações para receber o material, e cita as obras de Oswald de Andrade, Brito Broca e Alexandre Eulálio como produções com as quais a obra de Biondi possivelmente propiciará pontes.
Jefferson Cano é doutor em história pela Unicamp e leciona no Departamento de Teoria Literária. Os cruzamentos entre política e cultura e entre literatura e imprensa estão entre seus principais temas de pesquisa. Leia entrevista com o professor aqui.
O recebimento do arquivo de Aloysio Biondi demandou estrutura extra para o Cedae?
Sim, o seu recebimento exigiu que reformulássemos todo o espaço de nossa reserva técnica, para que fosse possível a instalação de um sistema de arquivamento deslizante para abrigar os documentos do acervo. Esse sistema precisou ser adquirido desde que entramos em acordo sobre a doação do material e para isso contamos com o apoio da reitoria.
Quais serão os próximos passos envolvendo o material doado? Que horizonte é previsto para essas ações?
O primeiro, para o qual já estamos nos mobilizando, é a transferência do acervo para o Cedae nos próximos dias, assim que for possível a contratação do transporte. Em seguida, chegando ao Cedae, terá início a higienização de cada documento individualmente. Essa etapa prévia é importante para prevenir a proliferação de microorganismos e insetos responsáveis pela deterioração dos documentos, e isso viabilizará a troca do acondicionamento do material para caixas e pastas adequados à sua preservação. Depois de cumpridas tais etapas os documentos serão guardados em ambiente climatizado, com umidade e temperatura controlados. Terá início então o trabalho de processamento arquivístico, que consiste na classificação e descrição de cada documento.
Pode-se prever quando, aproximadamente, esse acervo estará disponível para os pesquisadores em geral? A digitalização deve ser um passo posterior, certo?
Ao longo da etapa de processamento técnico, o material começa a ser pouco a pouco disponibilizado aos pesquisadores. Só após a completa organização do acervo, que pode ser um processo bastante longo, por ser muito meticuloso, a documentação, que é volumosa, será encaminhada à microfilmagem. A partir dos microfilmes é que será feita a digitalização.
É possível identificar, no atual acervo do Cedae, produções com as quais a de Biondi dialoga? Para nós, a obra de Monteiro Lobato é a primeira a se apresentar nesse sentido, pois ele sempre o apontou como uma dos principais autores a contribuir para sua formação quando jovem.
Além do caráter de novidade que o acervo de Aloysio Biondi traz para o Cedae, pois se trata de uma ampliação de sua abrangência temática, é possível pensar em uma relação com a produção de outros titulares de acervos que atuaram também na imprensa. O primeiro a ser citado talvez deva ser Oswald de Andrade, por sua militância de esquerda. Mas além dele poderíamos pensar na atuação de figuras como Brito Broca ou Alexandre Eulálio, que contribuíram muito para a divulgação da literatura por meio da imprensa.
quarta-feira 16 de setembro de 2009, por Pedro Biondi
Quarenta e quatro anos de jornalismo, traduzidos em passagens por diversas redações, extensas jornadas de trabalho, incansável pesquisa e preocupação permanente com os rumos de nossa nação e as condições de vida da população brasileira. Essa é a substância do arquivo pessoal de Aloysio Biondi, que será doado nesta sexta (18) ao Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulalio (Cedae). A doação faz parte do projeto O Brasil de Aloysio Biondi, que reúne parentes, amigos e alunos do jornalista.
Biondi publicou mais de 2 mil artigos, editoriais, entrevistas e reportagens ao longo de suas quatro décadas de atividade profissional. Grande parte desse conjunto documental foi mantida por ele ou recuperada pelo projeto de memória, e será transferida ao Cedae, órgão vinculado ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade de Campinas (Unicamp). O acervo compreende também livros, revistas, recortes de jornal, relatórios, censos e outras fontes de informação consultadas, além de objetos pessoais. Muitos itens contêm anotações de Biondi e dão precisas indicações sobre seu método de trabalho.
A cerimônia de doação do acervo ocorrerá às 10h, na sala de defesa de teses, no 2o. piso do bloco VII do Instituto de Estudos da Linguagem. Contará com a presença dos filhos de Aloysio Biondi, Pedro, Antonio e Beatriz; da ex-mulher, Angela Leite – mãe dos seus três filhos e sua companheira por cerca de 20 anos –; do secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt; do reitor da Unicamp, Fernando Costa; do Diretor do IEL, Alcir Pécora; e do coordenador do Cedae, Jefferson Cano.
"A doação para a Unicamp cumpre exemplarmente com o objetivo de tornar público o acervo do jornalista", avalia Antonio Biondi, coordenador do projeto O Brasil de Aloysio Biondi. "A manutenção do arquivo na universidade consolida a contribuição de Aloysio e de sua obra para a memória e o futuro do jornalismo brasileiro e de nossa sociedade."
O arquivo que será doado ao Cedae exigiu do projeto O Brasil de Aloysio Biondi nove anos de catalogação de material impresso, pesquisas em bibliotecas, visitas a jornais, discussões via e-mail e reuniões. Além do acervo em papel, o trabalho permitiu a postagem de mais de mil artigos e reportagens neste site.
Saiba mais sobre o jornalista, o acervo e o projeto navegando nesta página.
Sobre o IEL da Unicamp Ao longo de 25 anos, o IEL vem sediando pesquisas nas áreas de linguística e estudos literários. Em 2008, o instituto iniciou o programa de mestrado em divulgação científica e cultural, resultante de uma parceria com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). O curso, com sua proposta de formar especialistas capazes de abordar sob diversos enfoques o jornalismo de divulgação da ciência, tecnologia, arte e cultura em geral, integra diferentes áreas do conhecimento e reforça a tendência que norteou a criação do IEL: a promoção de uma reflexão crítica sobre todas as manifestações da linguagem.
Em consonância com essa expansão da pós-graduação do IEL, o Cedae implementa uma nova diretriz à sua política de acervos, que se abre para a captação e guarda de conjuntos documentais de interesse para a história e a linguagem do jornalismo, de modo a acompanhar e subsidiar o desenvolvimento dessa nova área de pesquisa na Unicamp.