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	<title>O Brasil de Aloysio Biondi</title>
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		<title>Perfil de Aloysio Biondi&lt;br&gt;por Thais Sauaya</title>
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		<dc:creator>Aloisio Milani</dc:creator>

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		<description>A mem&#243;ria do trabalho do Aloysio recebeu um refor&#231;o not&#225;vel. Em dezembro de 2007, foi aprovado, com nota 10 e recomenda&#231;&#245;es de publica&#231;&#227;o, o perfil biogr&#225;fico intitulado &#8220;Aloysio Biondi &#8211; Resist&#234;ncia &#233;tica e grandeza no jornalismo&#8221;, trabalho de conclus&#227;o de curso em jornalismo de Thais Sauaya Pereira, na Faculdade C&#225;sper L&#237;bero. &lt;br /&gt;Jornalista h&#225; muito e orientada pela professora Nanami Sato, Thais dedicou o encontro de seu aprendizado na profiss&#227;o e na faculdade ao resgate da carreira de Biondi, organizando-a (...)


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A mem&#243;ria do trabalho do Aloysio recebeu um refor&#231;o not&#225;vel. Em dezembro de 2007, foi aprovado, com nota 10 e recomenda&#231;&#245;es de publica&#231;&#227;o, o perfil biogr&#225;fico intitulado &#8220;&lt;a href=&quot;http://www.aloysiobiondi.com.br/IMG/pdf/tcc_thais_final_fev08.pdf&quot; class=&quot;spip_out&quot;&gt;Aloysio Biondi &#8211; Resist&#234;ncia &#233;tica e grandeza no jornalismo&lt;/a&gt;&#8221;, trabalho de conclus&#227;o de curso em jornalismo de Thais Sauaya Pereira, na Faculdade C&#225;sper L&#237;bero.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Jornalista h&#225; muito e orientada pela professora Nanami Sato, Thais dedicou o encontro de seu aprendizado na profiss&#227;o e na faculdade ao resgate da carreira de Biondi, organizando-a na medida do poss&#237;vel pelos per&#237;odos e ve&#237;culos em que trabalhou. Detalhe: a autora do trabalho possui liga&#231;&#227;o especial com o jornalista, tanto pela trajet&#243;ria afetiva de seus pais, Aldo Pereira e Cl&#233;lia Sauaya, quanto pelas parcerias que Aldo desenvolveu com Biondi.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A banca na C&#225;sper, na sala Aloysio Biondi, foi capitaneada pelo professor da faculdade e jornalista Renato Delmanto, e teve como avaliadores externos os tamb&#233;m jornalistas Andr&#233; Singer e Eug&#234;nio Bucci. Nas fotos abaixo, de Virg&#237;nia Balau, alguns momentos da apresenta&#231;&#227;o - assim como de Thais com a amiga Beatriz Tibiri&#231;&#225; (Be&#225;).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Al&#233;m de destacarem a qualidade da reda&#231;&#227;o do trabalho &#8211; a capacidade de s&#237;ntese, o vocabul&#225;rio, e a vis&#227;o dos processos hist&#243;ricos e econ&#244;micos s&#227;o outro ponto forte do perfil, posso atestar e dar f&#233; &#8211; os participantes da banca levantaram outros pontos bastante interessantes. Pontos que devem incentivar novos debates e atividades da Thais, e do pr&#243;prio projeto &quot;O Brasil de Aloysio Biondi&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Por exemplo: qual o projeto &#8211; ou os projetos &#8211; de jornalismo defendidos e constru&#237;dos por Biondi ao longo da sua carreira. Outro, se tais projetos seriam vi&#225;veis e aplic&#225;veis hoje. E como isso dialogaria com Habermas e sua Esfera P&#250;blica? Biondi poderia fazer o que sonhava na m&#237;dia comercial? E hoje, como seria com as aberturas do jornalismo p&#250;blico, ou do jornalismo cidad&#227;o?&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Os participantes da banca tamb&#233;m debateram sobre qual seria o projeto de pa&#237;s e de sociedade defendidos pelo jornalista. Biondi, afinal, era socialista? De esquerda? Desenvolvimentista? Progressista? Seguidor de Keynes? Delmanto, Bucci e Singer apontaram que mais dados da figura humana que foi Biondi &#8211; e um pouco mais de calma para descrever e explicar determinadas passagens e epis&#243;dios &#8211; seriam igualmente bem-vindos.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A equipe do projeto buscar&#225; dialogar e contribuir com as perguntas e debates colocados. Voc&#234; n&#227;o gostaria de arriscar respostas a algumas delas? Quem quiser, pode ir at&#233; nosso blog deixar um &lt;a href=&quot;http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?article923&quot; class=&quot;spip_out&quot;&gt;recado&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Em marcha para o suic&#237;dio econ&#244;mico? </title>
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		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
		<dc:subject>Jornal Gazeta Mercantil</dc:subject>

		<description>O consumo de cacau est&#225; caindo no mundo, por causa dos altos pre&#231;os. O consumo de t&#234;xteis, da mesma forma. Para a manteiga na Europa, para o a&#231;o ou os eletrodom&#233;sticos nos EUA, para as massas aliment&#237;cias ou a carne no Brasil, a tend&#234;ncia n&#227;o &#233; diferente. As taxas de desemprego crescem. O mundo caminha para uma recess&#227;o? &lt;br /&gt;Inicialmente, dizia-se que o mundo marchava para uma recess&#227;o por causa da crise do petr&#243;leo e de seus reflexos sobre a balan&#231;a comercial dos diversos pa&#237;ses. Os governos, diante (...)


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&lt;a href="http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?mot13" rel="tag"&gt;Jornal Gazeta Mercantil&lt;/a&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O consumo de cacau est&#225; caindo no mundo, por causa dos altos pre&#231;os. O consumo de t&#234;xteis, da mesma forma. Para a manteiga na Europa, para o a&#231;o ou os eletrodom&#233;sticos nos EUA, para as massas aliment&#237;cias ou a carne no Brasil, a tend&#234;ncia n&#227;o &#233; diferente. As taxas de desemprego crescem. O mundo caminha para uma recess&#227;o?&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Inicialmente, dizia-se que o mundo marchava para uma recess&#227;o por causa da crise do petr&#243;leo e de seus reflexos sobre a balan&#231;a comercial dos diversos pa&#237;ses. Os governos, diante desses problemas, seriam for&#231;ados &#8211; afirmavam as an&#225;lises &#8211; a adotar medidas protecionistas, que afetariam as exporta&#231;&#245;es de outros pa&#237;ses, que por sua vez reagiriam com repres&#225;lias. De repres&#225;lia em repres&#225;lia, o mundo caminharia para uma &#8220;guerra comercial&#8221;, e, finalmente, para uma recess&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O que est&#225; se vendo, no entanto, &#233; bem diferente. H&#225; queda nas vendas de todos os tipos de bens, n&#227;o por causa de medidas restritivas dos governos, inclusive em rela&#231;&#227;o &#224;s importa&#231;&#245;es. A queda existe, mas porque os altos pre&#231;os est&#227;o reduzindo o poder de compra do consumidor em todo o mundo, levando-o a comprar menos. &#201; a infla&#231;&#227;o, em resumo, que est&#225; tumultuando a economia do mundo, podendo lev&#225;-la a uma situa&#231;&#227;o de crise, se n&#227;o for efetivamente combatida.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Segundo os dados oficiais, a infla&#231;&#227;o mundial j&#225; havia ca&#237;do para 0,8% ao m&#234;s, em setembro, nos principais pa&#237;ses industrializados. Mas os &#237;ndices s&#227;o sempre enganosos, no Brasil e no resto do mundo, j&#225; que s&#227;o calculadas com bases em m&#233;dias ponderadas de pre&#231;os, com &#8220;pesos&#8221; maiores ou menores, para este ou aquele produto, estabelecidos de forma que tem muito a ver com o humor do economista que os manipula.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Assim, o decl&#237;nio na infla&#231;&#227;o &#8220;medida&#8221; pelos &#237;ndices se deveu, basicamente, ao recuo brutal dos pre&#231;os de algumas mat&#233;rias-primas, como os metais n&#227;o-ferrosos. Mas os pre&#231;os de outros produtos b&#225;sicos, como o a&#231;o e fertilizantes, continuam a avan&#231;ar. E, pior ainda: tamb&#233;m os pre&#231;os dos alimentos permaneceriam em alta. Como explicar esse avan&#231;o? Press&#227;o da demanda? Aumento de custos da produ&#231;&#227;o? Nem um, nem outro &#8211; salvo, rar&#237;ssimas exce&#231;&#245;es, como o a&#231;&#250;car.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;J&#225; foram feitos c&#225;lculos para mostrar que o petr&#243;leo representaria apenas uma pequena parcela do custo dos transportes, que, por sua vez, representam apenas uma pequena parcela do custo de determinada mercadoria. Prova-se, assim, que a contribui&#231;&#227;o &#8220;direta&#8221; do pre&#231;o do petr&#243;leo, para a infla&#231;&#227;o mundial, foi m&#237;nima (e, realmente, a &#8220;disparada&#8221; de outras mat&#233;rias-primas, inclusive alimentares, em 1973, teve um efeito muito mais devastador que a chamada &#8220;crise de energia&#8221;).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O petr&#243;leo pode, efetivamente, ter tido pequeno peso na alta de pre&#231;os, no terreno objetivo. No entanto, sua alta serviu para alimentar toda uma fanfarra (que, sintomaticamente, silenciou sobre as outras mat&#233;rias-primas) em torno da &#8220;crise mundial&#8221; e da &#8220;infla&#231;&#227;o mundial&#8221;. No campo psicol&#243;gico, abriu caminho para os profetas do caos e alimentadores do clima altista. Para o desejo de grandes lucros por parte de todos.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O mundo vive em pleno ambiente de &#8220;infla&#231;&#227;o do produtor&#8221;, ou, ainda, de &#8220;infla&#231;&#227;o do intermedi&#225;rio&#8221;, que tentam impor pre&#231;os altos n&#227;o porque est&#227;o enfrentando custos altos &#8211; mas porque &#8220;existe a infla&#231;&#227;o, n&#227;o sabia?&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Basta olhar em volta para verificar que, hoje, a infla&#231;&#227;o mundial tem muito menos a ver com custos altos ou procura excessiva, do que com a tentativa de auferir grandes lucros, que pode realmente ser suicida.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Nas &#250;ltimas semanas, os balan&#231;os das grandes empresas multinacionais n&#227;o apenas do setor petrol&#237;fero, mas tamb&#233;m do sider&#250;rgico e qu&#237;mico, revelam aumentos de vendas da ordem de 30% a 50% em valor, e aumentos nos lucros da ordem de 100% a 200%. Vale dizer: essas empresas est&#227;o pagando ou pagaram um pouco mais ao produtor, e est&#227;o cobrando muito mais ao consumidor, aumentado sua margem de lucros, alimentando a infla&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;No Brasil, para usar um exemplo entre muitos, os pescadores do Rio pararam seus barcos, porque: a) h&#225; 20 milh&#245;es de latas de sardinha estocadas, porque o consumo caiu por causa dos pre&#231;os altos; b) as ind&#250;strias estavam pagando apenas Cr$ 0,22 o quilo pelo peixe comprado aos pescadores; c) a lata de sardinha, de 200 gramas, est&#225; a Cr$ 2,00, o equivalente a Cr$ 10,00 o quilo &#8211; isto &#233;, cinq&#252;enta vezes, praticamente, os Cr$ 0,22 pagos ao pescador.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O mundo pode caminhar para uma crise econ&#244;mica, n&#227;o pelos sofisticados motivos que figuram nas an&#225;lises t&#233;cnicas. Mas porque mergulhou em um clima altista, alimentador da especula&#231;&#227;o e desestimulador do consumo e da produ&#231;&#227;o.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Quem se op&#245;e ao fim da &#8220;montanha-russa&#8221; dos pre&#231;os mundiais </title>
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		<dc:subject>Jornal Gazeta Mercantil</dc:subject>
		<dc:subject>Economia Internacional</dc:subject>

		<description>A FAO j&#225; chegou &#224; conclus&#227;o de que o problema da fome no mundo n&#227;o encontrar&#225; solu&#231;&#227;o apenas atrav&#233;s de programas de aumento da produ&#231;&#227;o agr&#237;cola. &#201; preciso, diz o organismo ligado &#224; ONU, rever tamb&#233;m a estrutura da comercializa&#231;&#227;o mundial de alimentos, que ora estimula o produtor a plantar (quando h&#225; alta de cota&#231;&#245;es) ora leva ao abandono de determinadas culturas (quando as cota&#231;&#245;es despencam). &lt;br /&gt;Basicamente, a FAO deseja a cria&#231;&#227;o de um &#8220;Fund&#227;o&#8221; de alimentos, para regularizar o mercado mundial, eliminando a (...)


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&lt;a href="http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?mot38" rel="tag"&gt;Economia Internacional&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A FAO j&#225; chegou &#224; conclus&#227;o de que o problema da fome no mundo n&#227;o encontrar&#225; solu&#231;&#227;o apenas atrav&#233;s de programas de aumento da produ&#231;&#227;o agr&#237;cola. &#201; preciso, diz o organismo ligado &#224; ONU, rever tamb&#233;m a estrutura da comercializa&#231;&#227;o mundial de alimentos, que ora estimula o produtor a plantar (quando h&#225; alta de cota&#231;&#245;es) ora leva ao abandono de determinadas culturas (quando as cota&#231;&#245;es despencam).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Basicamente, a FAO deseja a cria&#231;&#227;o de um &#8220;Fund&#227;o&#8221; de alimentos, para regularizar o mercado mundial, eliminando a &#8220;montanha-russa&#8221; das oscila&#231;&#245;es decorrentes dos desequil&#237;brios entre a oferta e a procura. Seu plano, &#233; f&#225;cil ver, afetaria profundamente as atuais oportunidades de lucros remetentes do com&#233;rcio de produtos agr&#237;colas &#8211; e ela n&#227;o ignora esse dado. Parte, mesmo, da premissa de que o &#8220;livre com&#233;rcio&#8221; de alimentos &#233; incompat&#237;vel com o problema da fome, no mundo de hoje.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Na pr&#225;tica, o programa da FAO visaria &#224; forma&#231;&#227;o de imensos estoques de alimentos, que seriam utilizados para &#8220;socorrer&#8221; pa&#237;ses pobres, sempre que suas safras fossem afetadas por problemas imprevistos, como secas ou inunda&#231;&#245;es. Tal socorro n&#227;o seria gratuito, isto &#233;, os alimentos n&#227;o seriam doados, mas vendidos &#8211; a longos prazos de pagamento.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Qual a diferen&#231;a desse esquema, em rela&#231;&#227;o aos atuais programas de &#8220;ajuda&#8221;, com vendas financiadas? Por ele, n&#227;o haveria a possibilidade, em &#233;pocas de escassez, como a atual, de pa&#237;ses &#8220;vendedores&#8221; &#8211; geralmente desenvolvidos, como os EUA &#8211; cobrarem pre&#231;os estapaf&#250;rdios por seus alimentos, comprados em sua maior parte pelos pa&#237;ses pobres.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;A PRODU&#199;&#195;O EST&#193;VEL&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A proposta da FAO corta pela raiz o problema das oscila&#231;&#245;es dos pre&#231;os dos produtos agr&#237;colas &#8211; dando condi&#231;&#245;es para que a produ&#231;&#227;o mundial se desenvolvesse geometricamente, sem os recursos que hoje ocorrem no plantio de produtos cujas cota&#231;&#245;es &#8220;despencam&#8221;, ou para os quais n&#227;o existe mercado, em determinado ano.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Mais explicitamente, no ano em que ocorresse uma superprodu&#231;&#227;o mundial de soja, por exemplo, o natural, at&#233; hoje, seria uma queda brusca nas cota&#231;&#245;es. Com a baixa, os produtores veriam suas produ&#231;&#245;es encalhadas, e, no ano seguinte, reduziriam o plantio, reduzindo-se ent&#227;o a colheita, com novas altas de pre&#231;os num ciclo intermin&#225;vel.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Se adotado o esquema da FAO, a superprodu&#231;&#227;o n&#227;o acarretaria uma queda nas cota&#231;&#245;es. Por qu&#234;? Porque o FUND&#195;O compraria os excedentes, armazenando-os. O produtor nada perderia, recebendo pre&#231;os &#8220;normais&#8221; por suas safras, e o plantio se manteria a alto n&#237;vel, no ano seguinte.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Numa outra etapa, quando sobreviesse uma quebra na produ&#231;&#227;o mundial, por problemas clim&#225;ticos ou de pragas, os estoques do &#8220;Fund&#227;o&#8221; seriam utilizados para estabilizar as cota&#231;&#245;es, impedindo a sua disparada.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Isto n&#227;o significa que o &#8220;Fund&#227;o&#8221; iria vender os alimentos no mercado livre, que continuaria reservado &#224;s multinacionais. O &#8220;Fund&#227;o&#8221; atenderia aos pa&#237;ses pobres, com a falta de divisas, vendendo-lhes a longo prazo, os alimentos de que necessitassem. No entanto, &#233; f&#225;cil entender que mesmo essa &#8220;interven&#231;&#227;o direta&#8221; impediria a disparada de pre&#231;os atendidos pelo &#8220;Fund&#227;o&#8221;, os pa&#237;ses pobres n&#227;o colocariam encomendas no mercado livre, isto &#233;, n&#227;o se romperia o equil&#237;brio entre a oferta e a procura, as cota&#231;&#245;es n&#227;o entrariam em alta.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O esquema estabilizaria os pre&#231;os no mercado mundial, daria tranq&#252;ilidade ao produtor assegurando o crescimento uniforme do plantio e evitaria as dram&#225;ticas mortandades de fome.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Mas reduziria, em contrapartida, as possibilidades de lucros no com&#233;rcio com alimentos, hoje obtidos principalmente pelos pa&#237;ses industrializados, que s&#227;o os seus maiores exportadores. E a&#237; est&#225; a principal resist&#234;ncia a ser vencida pela FAO: a constitui&#231;&#227;o do Fund&#227;o exigiria alguns bilh&#245;es de d&#243;lares, para imobiliza&#231;&#227;o na forma&#231;&#227;o dos estoques, e para as vendas a longo prazo aos pa&#237;ses pobres. Esses bilh&#245;es de d&#243;lares deveriam ser fornecidos exatamente pelos pa&#237;ses ricos, segundo a proposta que a FAO apresentar&#225; na Confer&#234;ncia Mundial sobre Alimenta&#231;&#227;o a iniciar-se em Roma, no pr&#243;ximo dia 5. At&#233; que ponto os governos mundiais estar&#227;o preparados para aceitar o fim da especula&#231;&#227;o mundial com alimentos?&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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	<item>
		<title>O doce v&#237;cio da infla&#231;&#227;o</title>
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		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>

		<description>Pelo notici&#225;rio dos &#250;ltimos dias, verifica-se que havia, dentro do pr&#243;prio Conselho Monet&#225;rio, isto &#233;, do governo, e dentro da classe empresarial, quem defendesse solu&#231;&#245;es mais &#8220;t&#233;cnicas&#8221;, de menor conte&#250;do social, para o problema da perda de poder aquisitivo do assalariado. &lt;br /&gt;Para essas correntes, a reativa&#231;&#227;o das vendas poderia ser buscada, por exemplo, atrav&#233;s da isen&#231;&#227;o do ICM, que resultaria em menor pre&#231;o para as mercadorias, colocando-as novamente ao alcance do consumidor. &lt;br /&gt;A solu&#231;&#227;o teria, em (...)


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Pelo notici&#225;rio dos &#250;ltimos dias, verifica-se que havia, dentro do pr&#243;prio Conselho Monet&#225;rio, isto &#233;, do governo, e dentro da classe empresarial, quem defendesse solu&#231;&#245;es mais &#8220;t&#233;cnicas&#8221;, de menor conte&#250;do social, para o problema da perda de poder aquisitivo do assalariado.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Para essas correntes, a reativa&#231;&#227;o das vendas poderia ser buscada, por exemplo, atrav&#233;s da isen&#231;&#227;o do ICM, que resultaria em menor pre&#231;o para as mercadorias, colocando-as novamente ao alcance do consumidor.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A solu&#231;&#227;o teria, em contrapartida, a vantagem de n&#227;o apresentar riscos inflacion&#225;rios que estariam contidos no abono de 10% por for&#231;a da eleva&#231;&#227;o da folga de sal&#225;rios, e, por extens&#227;o, do custo da empresa.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Continua na p&#225;gina 3&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>



	<item>
		<title>&#8220;Reciclagem&#8221; da economia, estrat&#233;gia n&#227;o abandonada</title>
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		<dc:subject>71-80</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
		<dc:subject>Jornal Gazeta Mercantil</dc:subject>

		<description>J&#225; ao lan&#231;ar o plano Trienal de 1967, a equipe do atual ministro Reis Veloso apontava no texto introdut&#243;rio que, freq&#252;entemente, no Brasil, a pol&#237;tica de planejamento acabava sendo sacrificada por medidas imediatistas, que desviavam o pa&#237;s de seus objetivos a longo prazo. Haveria esse risco nas &#250;ltimas provid&#234;ncias para reativar a economia? &lt;br /&gt;Conforme as explica&#231;&#245;es oficiais, a estrat&#233;gia de longo prazo n&#227;o dever&#225; ser sacrificada. Houve uma altera&#231;&#227;o t&#225;tica, para enfrentar uma conjuntura em que j&#225; se (...)


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;J&#225; ao lan&#231;ar o plano Trienal de 1967, a equipe do atual ministro Reis Veloso apontava no texto introdut&#243;rio que, freq&#252;entemente, no Brasil, a pol&#237;tica de planejamento acabava sendo sacrificada por medidas imediatistas, que desviavam o pa&#237;s de seus objetivos a longo prazo. Haveria esse risco nas &#250;ltimas provid&#234;ncias para reativar a economia?&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Conforme as explica&#231;&#245;es oficiais, a estrat&#233;gia de longo prazo n&#227;o dever&#225; ser sacrificada. Houve uma altera&#231;&#227;o t&#225;tica, para enfrentar uma conjuntura em que j&#225; se delineava uma poss&#237;vel recess&#227;o para alguns setores, criando-se um clima perigoso dentro da classe empresarial. Mas o est&#237;mulo ao consumo n&#227;o implica no &#8220;retorno ao consumismo&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Essa reviravolta seria imposs&#237;vel. Conforme apontava h&#225; uma semana o pr&#243;prio ministro da Fazenda ainda que em outras palavras, o Brasil estimulou um processo de industrializa&#231;&#227;o &#224;s avessas, nos &#250;ltimos anos. Com isso, est&#225; agora enfrentando problemas que geram dois pontos cr&#237;ticos, segundo a pr&#243;pria an&#225;lise do ministro da Fazenda: como as ind&#250;strias b&#225;sicas n&#227;o foram desenvolvidas no mesmo ritmo, h&#225; hoje escassez de materiais e bens essenciais. Essa escassez provoca alta de pre&#231;os (pela press&#227;o da demanda), como primeira distor&#231;&#227;o, e necessidades de importa&#231;&#227;o, como segunda distor&#231;&#227;o. Infla&#231;&#227;o e d&#233;ficit cambial, eis os resultados do &#8220;modelo consumista&#8221;, que o pa&#237;s n&#227;o pode, por isso mesmo, manter. Uma &#8220;op&#231;&#227;o&#8221; sem escolhas.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;O FUTURO CHEGOU&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A &#8220;reciclagem&#8221; da economia &#233; inevit&#225;vel, portanto. O governo poderia, se radical, at&#233; mesmo buscar uma redu&#231;&#227;o na produ&#231;&#227;o dos bens de consumo, que desencadeiam aquelas press&#245;es. Sabendo por&#233;m dos traumas econ&#244;micos que as diretrizes provocariam, limita-se a prever taxas mais reduzidas de crescimento para esses setores.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A &#8220;reciclagem&#8221; se faz, assim, ao longo do tempo, n&#227;o abruptamente e, por isso mesmo, a queda na produ&#231;&#227;o que se verificava exigia a&#231;&#227;o firme.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A opini&#227;o p&#250;blica, e a coletividade empresarial, teme que o abandono do &#8220;modelo consumista&#8221; leve a fracassos, ou &#224; recess&#227;o aqui e no resto do mundo. Os atuais problemas da industria automobil&#237;stica mundial, por exemplo, s&#227;o encarados como pren&#250;ncios de cat&#225;strofe. No entanto, o que ocorre simplesmente, &#233; que a sociedade consumista das &#250;ltimas d&#233;cadas ainda n&#227;o entendeu que pode haver uma &#8220;recess&#227;o&#8221; para os bens de consumo, sem for&#231;osamente haver uma &#8220;recess&#227;o&#8221; da economia, como um todo. Num exemplo simples, os investimentos que a siderurgia mundial exige nos pr&#243;ximos cinco anos, para atender precariamente &#224; demanda projetada para isso, monta a nada menos de 440 bilh&#245;es de d&#243;lares - isto &#233;, um suporte de peso para o crescimento da economia mundial, ainda n&#227;o entendido, para que sobrem recursos para o desenvolvimento de outros setores.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;E a volta &#224; infla&#231;&#227;o, por for&#231;a da nova pol&#237;tica salarial? Est&#227;o a&#237; os dados oficiais, a mostrar que a folha de sal&#225;rios dificilmente chega a representar 15% do valor da produ&#231;&#227;o das empresas. Um abono de 10% significa, portanto, um acr&#233;scimo de apenas 1,4% no custo dos produtos. O pa&#237;s precisa ter esse dado na cabe&#231;a, para evitar que a mentalidade inflacion&#225;ria se reimplante, por inadvert&#234;ncia, fazendo os pre&#231;os subirem indevidamente, por for&#231;a de uma press&#227;o salarial &#8211; que n&#227;o existe.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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	</item>



	<item>
		<title>Reduzir a depend&#234;ncia externa</title>
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		<dc:subject>81-90</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
		<dc:subject>Jornal Folha de S.Paulo</dc:subject>

		<description>Depois da Argentina, M&#233;xico e Cuba, outros pa&#237;ses latino-americanos est&#227;o, &#224;s portas de renegociar sua divida externa: Bol&#237;via, Equador, Honduras e, em menor escala, a Venezuela viram sua situa&#231;&#227;o cambial agravar-se rapidamente, nas &#250;ltimas semanas. &lt;br /&gt;&quot;A situa&#231;&#227;o do Brasil, como afirma o governo, &#233; bastante mais folgada, em termos de ac&#250;mulo de compromissos de curto prazo, do que a desses pa&#237;ses. No entanto, a evolu&#231;&#227;o dos acontecimentos est&#225; mostrando que a situa&#231;&#227;o financeira internacional tende a (...)


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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Depois da Argentina, M&#233;xico e Cuba, outros pa&#237;ses latino-americanos est&#227;o, &#224;s portas de renegociar sua divida externa: Bol&#237;via, Equador, Honduras e, em menor escala, a Venezuela viram sua situa&#231;&#227;o cambial agravar-se rapidamente, nas &#250;ltimas semanas.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&quot;A situa&#231;&#227;o do Brasil, como afirma o governo, &#233; bastante mais folgada, em termos de ac&#250;mulo de compromissos de curto prazo, do que a desses pa&#237;ses. No entanto, a evolu&#231;&#227;o dos acontecimentos est&#225; mostrando que a situa&#231;&#227;o financeira internacional tende a tornar-se cada vez mais dif&#237;cil, nestes pr&#243;ximos meses, atingindo tamb&#233;m o Brasil. Ainda que o Pa&#237;s n&#227;o precise de uma 'renegocia&#231;&#227;o' de sua d&#237;vida, no sentido tradicional dessa express&#227;o, n&#227;o h&#225; d&#250;vida de que o governo deveria preparar uma estrat&#233;gia para ajustar a economia do Pa&#237;s, reduzindo a sua atual depend&#234;ncia dos fatores externos. De posse desse plano, seria oportuno desenvolver conversa&#231;&#245;es com os banqueiros internacionais para reduzir durante algum tempo, at&#233; que os ajustes fossem feitos &#8211; o peso que os compromissos da divida externa vem trazendo para a economia brasileira.&quot;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Coincidindo com a opini&#227;o predominante entre l&#237;deres empresariais e do sistema financeiro ouvidos anteriormente pela &quot;Folha&quot;, a prop&#243;sito da d&#237;vida externa, &#233; essa, em s&#237;ntese, a posi&#231;&#227;o de Alain Belda, presidente da Alcoa do Brasil; Paulo Possas, vice-presidente da Corpora&#231;&#227;o Bonfiglioli; e ainda de presidente de uma entidade empresarial que n&#227;o deseja ser identificado. Mais otimista, M&#225;rio Garnero, presidente da Confedera&#231;&#227;o Nacional da Ind&#250;stria, defende reajustes na economia brasileira como forma de resolver, a m&#233;dio prazo, os atuais problemas trazidos pelo endividamento externo &#8212; mas n&#227;o atribui &#224; situa&#231;&#227;o cambial a gravidade entrevista por outros empres&#225;rios.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Paulo Possas, tamb&#233;m professor de Planejamento Estrat&#233;gico, faz quest&#227;o de frisar que foi mal-interpretado, em ocasi&#245;es anteriores, em que lhe atribu&#237;ram opini&#227;o favor&#225;vel &#224; renegocia&#231;&#227;o da d&#237;vida externa. Dentro de sua especialidade, Possas se preocupa com an&#225;lises globais e de longo prazo sobre a economia mundial, o capitalismo, as rela&#231;&#245;es entre o 1&#176; e o 3&#176; Mundos. Nessas suas an&#225;lises, o Ocidente caminha para uma grande crise, a menos que haja um reordenamento da ordem econ&#244;mica mundial, um plano conjunto de desenvolvimento em que os paises ricos levem em conta os interesses e necessidades dos paises em desenvolvimento.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; Isto significa que o Brasil nada pode fazer, diante das perspectivas atuais, e deve ficar possivelmente &#224; espera de uma mudan&#231;a de mentalidade dos governos de pa&#237;ses ricos?&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; O que quero dizer &#233; que acredito que a d&#237;vida externa brasileira realmente &#233; bem administrada, com prazos de vencimento melhor distribu&#237;dos ao longo dos pr&#243;ximos anos, replica Possas. Em outras condi&#231;&#245;es da economia mundial, o Pa&#237;s poderia ficar tranq&#252;ilo. Mas, diante das aberra&#231;&#245;es surgidas no Exterior nos &#250;ltimos anos, acredito que o Brasil precisa realmente realizar ajustes na sua economia, reduzindo a sua depend&#234;ncia externa com urg&#234;ncia, para n&#227;o ser mais atingido pelas loucuras alheias.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;&#8220;Os efeitos nefastos das loucuras alheias&#8221;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Entre as &quot;loucuras alheias&quot; e seus efeitos, Possas destaca a eleva&#231;&#227;o dos juros internacionais, agravada pela pol&#237;tica de Reagan, que desestimulou os investimentos (e, sem eles, o capitalismo entra em crise), agravou a situa&#231;&#227;o dos pa&#237;ses em desenvolvimento, alastrou a recess&#227;o: &quot;S&#243; um louco investe, num momento em que as aplica&#231;&#245;es financeiras rendem 16% (reais) ao ano, e as empresas oferecem um retorno de no m&#225;ximo 6% ao ano&quot;, &#233; uma das frases mais freq&#252;entes em todas as an&#225;lises do atual quadro internacional.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Possas &#233; pessimista quanto &#224;s possibilidades de mudan&#231;as positivas no quadro mundial, em fun&#231;&#227;o da recente queda das taxas de juros nos EUA e no mercado internacional:&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; Somente as taxas de curto prazo ca&#237;ram nos EUA. As de m&#233;dio prazo continuam elevadas. Qual o significado dessa contradi&#231;&#227;o? &#201; simples: a fal&#234;ncia de bancos e grandes empresas levou o investidor a aplicar em t&#237;tulos que lhe ofere&#231;am maior garantia, isto &#233;, as Letras do Tesouro norte-americano, permitindo a queda de suas taxas, a curto prazo.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Mas &#233; um fen&#244;meno passageiro, como pode ser visto na perman&#234;ncia de juros elevados nas aplica&#231;&#245;es de prazo maior.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;O TEMOR DOS BANCOS&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O presidente da Alcoa, Alain Belda, tamb&#233;m teme que o Brasil sofra os efeitos das &quot;loucuras alheias&quot;:&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; Em nossos contatos com banqueiros internacionais verificamos que eles realmente confiam nas perspectivas do Brasil, sua capacidade de pagar os compromissos da d&#237;vida externa. Mas eles n&#227;o podem deixar de ficar preocupados, diante do r&#225;pido agravamento da situa&#231;&#227;o de um grande n&#250;mero de pa&#237;ses, acelerando-se a deteriora&#231;&#227;o do mercado financeiro internacional. Al&#233;m do mais, os d&#233;bitos da Am&#233;rica Latina superam largamente as disponibilidades dos bancos norte-americanos, seus principais credores. Por isso, o Brasil poder&#225; enfrentar dificuldades, nos pr&#243;ximos meses, para obter os recursos necess&#225;rios &#224; &quot;rolagem&quot; de sua d&#237;vida.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Belda ressalta que, infelizmente, o Brasil n&#227;o pode &#8220;parar de pedalar&#8221;, isto &#233;, tem que manter um ritmo de crescimento econ&#244;mico para criar condi&#231;&#245;es para o pr&#243;prio pagamento dos compromissos da d&#237;vida. Ao mesmo tempo, por&#233;m, diz o presidente da Alcoa, o Pa&#237;s precisa come&#231;ar a criar condi&#231;&#245;es para &quot;respirar&quot; no futuro &#8211; o que significa a ado&#231;&#227;o de uma pol&#237;tica econ&#244;mica clara, objetiva, de m&#233;dio e longo prazos, e &quot;que n&#227;o temos&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Na pr&#243;pria &#225;rea de exporta&#231;&#245;es &#8211; essenciais para reduzir o ritmo de crescimento da d&#237;vida -, Belda aponta que o Brasil somente poder&#225; aumentar seu poder de competi&#231;&#227;o no Exterior aumentando a efici&#234;ncia do funcionamento de suas empresas e de sua economia -&quot;quest&#227;o que desemboca, mais uma vez, na necessidade de uma pol&#237;tica econ&#244;mica definida&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O presidente da Alcoa condena a concess&#227;o indiscriminada de subs&#237;dios e incentivos, como forma de estimular as exporta&#231;&#245;es ou em outras &#225;reas da economia: &quot;H&#225; dez, quinze anos atr&#225;s, essa improvisa&#231;&#227;o podia dar resultados, porque as dimens&#245;es da economia e dos neg&#243;cios eram muitas vezes menores. Hoje, o pr&#243;prio crescimento experimentado pela economia tornou esse caminho invi&#225;vel; o governo, o Estado, n&#227;o tem condi&#231;&#245;es de suportar a imensa massa de subs&#237;dios nas mais diversas &#225;reas.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Na mesma linha de racioc&#237;nio, mas extremamente otimista, o presidente da Confedera&#231;&#227;o Nacional da Ind&#250;stria, M&#225;rio Garnero, afirma que as exporta&#231;&#245;es brasileiras poder&#227;o crescer substancialmente a partir do momento em que o governo disponha de diretrizes econ&#244;micas para a &#225;rea e para toda a economia.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Para Garnero, os subs&#237;dios &#224; exporta&#231;&#227;o deveriam ser concedidos de forma seletiva &#8212; &quot;o MIC j&#225; vem realizando estudos nessa dire&#231;&#227;o&quot; &#8212;, isto &#233;, eles seriam concentrados nos setores em que o Pa&#237;s efetivamente tem condi&#231;&#245;es de competir no Exterior:&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; De nada adianta gastar recursos em incentivos &#224; exporta&#231;&#227;o de dezenas de milhares de produtos com pequeno poder de briga diante dos concorrentes, no mercado internacional.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Como desdobramento dessa orienta&#231;&#227;o, Garnero defende a fabrica&#231;&#227;o de produtos especialmente destinados ao mercado externo, ao contr&#225;rio do que ocorre hoje, &quot;quando as empresas tentam vender apenas os excedentes, o que sobra no mercado interno, ignorando as necessidades e caracter&#237;sticas do mercado consumidor externo&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O presidente da CNI coloca ainda o combate &#224; infla&#231;&#227;o &#8212; reduzindo-a para a faixa hist&#243;rica de 20 a 25 pontos percentuais acima da infla&#231;&#227;o mundial &#8211; como uma prioridade nacional, inclusive do ponto de vista do esfor&#231;o exportador: &#8220;Fala-se muito no estreitamento dos mercados externos. Mas &#233; evidente que o Brasil vem perdendo para a concorr&#234;ncia tamb&#233;m por causa da infla&#231;&#227;o galopante, que estoura todos os custos das empresas nacionais&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Sempre preocupado com a melhor utiliza&#231;&#227;o de recursos, Garnero defende ainda que o Brasil concentre esfor&#231;os tamb&#233;m em mat&#233;ria de mercados a conquistar. Para ele, a neglig&#234;ncia em rela&#231;&#227;o ao mercado dos EUA &#233; incompreens&#237;vel: &#8220;Se conquist&#225;ssemos 1% desse mercado, isso significaria 2 bilh&#245;es de d&#243;lares em exporta&#231;&#245;es por ano. Acho que o vulto dessas cifras justifica um esfor&#231;o, inclusive pol&#237;tico de maior aproxima&#231;&#227;o com o governo dos EUA, para superar as dificuldades que v&#234;m marcando as rela&#231;&#245;es dos dois pa&#237;ses, nos &#250;ltimos tempos.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Acreditando, finalmente que o Brasil deveria estabelecer planos para duplicar sua produ&#231;&#227;o agr&#237;cola para 100 milh&#245;es de toneladas por ano, tornando-se o segundo maior exportador mundial nessa &#225;rea, Garnero n&#227;o v&#234; motivos para o debate em torno da renegocia&#231;&#227;o da d&#237;vida externa do Pa&#237;s:&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8212; A d&#237;vida existe, seus compromissos t&#234;m que ser honrados. Vamos faz&#234;-lo atrav&#233;s de pol&#237;ticas de austeridade e de diretrizes econ&#244;micas definidas, que permitam a utiliza&#231;&#227;o do imenso potencial do Pa&#237;s. Isto ser&#225; suficiente par manter a confian&#231;a que os banqueiros t&#234;m no Brasil.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A possibilidade de deteriora&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o financeira internacional afetar o Brasil &#233; destacada por Garnero: &#8220;o Brasil continua a exigir que os empr&#233;stimos tenham um prazo m&#237;nimo de oito anos para pagamento, com 30 meses de car&#234;ncia. Isso significa que, antes de pensar em renegocia&#231;&#227;o, o Pa&#237;s poderia facilmente ter uma imensa quantidade de financiamentos, atrav&#233;s de uma decis&#227;o simples se isso fosse necess&#225;rio, frisa &#8212;: reduzir os prazos para seis anos, por exemplo.&#8221;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Queda dos pre&#231;os do &#243;leo pode trazer novo choque</title>
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		<dc:subject>81-90</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
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		<description>A queda dos pre&#231;os do petr&#243;leo no mercado mundial traz &#8211; por paradoxal que pare&#231;a &#8211; novas amea&#231;as &#224; economia mundial, e ao Brasil em particular, nestes pr&#243;ximos meses. Sem medo de exagerar, pode-se dizer que o mundo caminha para um novo &#8220;choque do petr&#243;leo&#8221;, ainda que &#224;s avessas, exigindo decis&#245;es urgentes dos governos para superar seus efeitos, sob a pena de caminhar-se para um per&#237;odo de depress&#227;o mundial. &lt;br /&gt;A nova crise pode ser explicada em poucas palavras: os pa&#237;ses exportadores de petr&#243;leo, com a (...)


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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A queda dos pre&#231;os do petr&#243;leo no mercado mundial traz &#8211; por paradoxal que pare&#231;a &#8211; novas amea&#231;as &#224; economia mundial, e ao Brasil em particular, nestes pr&#243;ximos meses. Sem medo de exagerar, pode-se dizer que o mundo caminha para um novo &#8220;choque do petr&#243;leo&#8221;, ainda que &#224;s avessas, exigindo decis&#245;es urgentes dos governos para superar seus efeitos, sob a pena de caminhar-se para um per&#237;odo de depress&#227;o mundial.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A nova crise pode ser explicada em poucas palavras: os pa&#237;ses exportadores de petr&#243;leo, com a violenta queda nas suas exporta&#231;&#245;es e, agora, recuo nos pre&#231;os, v&#234;m perdendo uma f&#225;bula de d&#243;lares, por ano. Todos eles, como se sabe, vinham usando o dinheiro do petr&#243;leo, desde 1973 na implanta&#231;&#227;o de gigantescos planos de investimentos: constru&#231;&#227;o de sider&#250;rgicas, parques petroqu&#237;micos, ferrovias, rodovias, planos habitacionais e assim por diante. Como se tratava de pa&#237;ses com baixo n&#237;vel de desenvolvimento, essa arrancada de moderniza&#231;&#227;o de suas economias s&#243; poderia ser feita &#224; custa de importa&#231;&#245;es maci&#231;as, por falta de ind&#250;stria local, seja de m&#225;quina, equipamentos ou eletrodom&#233;sticos e roupas, ou mesmo de simples mat&#233;rias-primas (e alimentos). Esses pa&#237;ses, assim, tamb&#233;m assumiram pesados compromissos no exterior, aplicando os d&#243;lares obtidos como petr&#243;leo em compras externas.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O abarrotamento do mercado internacional do petr&#243;leo atingiu violentamente os pa&#237;ses da Opep. Segundo os dados mais recentes, de onze pa&#237;ses participantes da organiza&#231;&#227;o, apenas quatro n&#227;o est&#227;o, a esta altura, enfrentando o problema velho conhecido do Brasil, a saber, d&#233;ficits na balan&#231;a comercial, com os gastos em importa&#231;&#245;es superando as receitas das exporta&#231;&#245;es. Calcula-se que os pa&#237;ses da Opep, como um todo, possam enfrentar um d&#233;ficit estimado entre 20 e 60 bilh&#245;es de d&#243;lares este ano &#8211; tudo dependendo do comportamento do mercado mundial do petr&#243;leo, daqui para a frente.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Essa situa&#231;&#227;o nova traz problemas &#8211; provis&#243;rios, dependendo das provid&#234;ncias dos governos dos demais pa&#237;ses &#8211; &#224; economia mundial, porque os d&#233;ficits est&#227;o levando as na&#231;&#245;es da Opep a reverem seus planos de investimentos, dilatando os prazos de execu&#231;&#227;o de projetos e cancelando encomendas feitas a outros pa&#237;ses. A tend&#234;ncia &#233; grave, porque, desde 1973, os pa&#237;ses produtores de petr&#243;leo, subitamente enriquecidos, figuraram como os grandes clientes para as exporta&#231;&#245;es dos pa&#237;ses industrializados e mesmo em desenvolvimento.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Pode-se alegar que o racioc&#237;nio &#233; incorreto, isto &#233;, unilateral, lembrando-se que os problemas dos pa&#237;ses da Opep, e seus efeitos sobre a economia mundial, seriam contrabalan&#231;ados pela melhora na situa&#231;&#227;o econ&#244;mica dos pa&#237;ses importadores. Gastando menos com petr&#243;leo &#8211; via redu&#231;&#227;o do consumo, ou via estabilidade de pre&#231;os, que representa uma queda na pr&#225;tica, diante da infla&#231;&#227;o mundial &#8211; pa&#237;ses como o Brasil reduziram seus d&#233;ficits comerciais e poderiam aumentar outras importa&#231;&#245;es para alimentar sua ind&#250;stria, isto &#233;, poderiam &#8220;reativar sua economia&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Engano: a m&#233;dio prazo, o encharcamento do mercado mundial do petr&#243;leo &#233; inegavelmente uma b&#234;n&#231;&#227;o para a economia ocidental, mergulhada h&#225; quase uma d&#233;cada na &#8220;crise de energia&#8221;. Mas, a curto prazo, h&#225; tamb&#233;m um &#8220;choque&#8221;, uma fase de transi&#231;&#227;o a superar. Por qu&#234;? Porque a economia de pa&#237;ses como o Jap&#227;o, Alemanha Ocidental, os EUA, a Fran&#231;a, os pa&#237;ses industrializados enfim, s&#227;o largamente dependentes dos mercados externos. Sua ind&#250;stria &#233; movimentada &#224;s custas de exporta&#231;&#245;es, e n&#227;o do mercado interno. Assim, no momento em que as dificuldades da Opep acarretam perdas de encomendas, suas economias s&#227;o intensamente atingidas &#8211; e elas j&#225; vivem um per&#237;odo de caracter&#237;sticas recessivas.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;Demanda interna&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Una tentativa de superar o impasse teria que ser rapidamente implantada pelos governos desses pa&#237;ses, atrav&#233;s de medidas destinadas a reativar a demanda interna. Se a estrat&#233;gia desse resultado &#8211; que de qualquer forma demandaria algum tempo, alguns meses -, o aquecimento do mercado interno dos pa&#237;ses industrializados acabaria resultando em maiores importa&#231;&#245;es de mat&#233;rias-primas e produtos fornecidos pelos pa&#237;ses em desenvolvimento, como o Brasil, que, ent&#227;o, tamb&#233;m veriam suas exporta&#231;&#245;es crescerem, e aumentariam suas compras junto aos pa&#237;ses ricos. Em resumo, para a economia mundial colocar-se em marcha &#8211; sem as compras maci&#231;as dos pa&#237;ses da Opep &#8211; ser&#225; preciso primeiro detonar um processo de aumento da demanda nos pa&#237;ses ricos, a que se seguiria um aumento das exporta&#231;&#245;es dos pa&#237;ses em desenvolvimento que, finalmente comprariam mais das ind&#250;strias dos pa&#237;ses ricos, isso leva tempo.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O Brasil ser&#225; particularmente atingido por esse per&#237;odo de transi&#231;&#227;o. Importando atualmente n&#227;o mais que 700 mil barris di&#225;rios de petr&#243;leo para o consumo interno, o Pa&#237;s economizaria algo como 500 milh&#245;es de d&#243;lares por ano, caso houvesse uma redu&#231;&#227;o m&#233;dia de dois d&#243;lares no custo de um barril &#8211; queda que a Opep tenciona evitar, em sua pr&#243;xima reuni&#227;o do dia 19. Em compensa&#231;&#227;o, os d&#233;ficits dos pa&#237;ses produtores de petr&#243;leo podem ser um golpe mortal no processo de aumento de exporta&#231;&#245;es brasileiras. Como se sabe, o grande salto nas vendas externas de manufaturados brasileiros nos &#250;ltimos anos se deveu aos mercados novos &#8211; sobretudo esses pa&#237;ses produtores de petr&#243;leo. E tamb&#233;m os pa&#237;ses socialistas, como a Pol&#244;nia e a Rom&#234;nia, que, este ano, j&#225; avisaram a todos os credores que entraram em morat&#243;ria, isto &#233;, suspenderam o pagamento de sua d&#237;vida externa, temporariamente, desejando renegocia-la a prazos mais longos.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Resta ver se o Brasil escapar&#225; de igual sorte, ante o s&#250;bito estreitamento de mercados promissores, e o novo per&#237;odo de incertezas para a economia mundial. Bras&#237;lia j&#225; deve estar com as barbas de molho.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Pol&#237;tica econ&#244;mica tem apoio do empresariado</title>
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		<dc:subject>81-90</dc:subject>
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		<description>Desde 1964, nenhum governo enfrentou uma situa&#231;&#227;o internacional t&#227;o dif&#237;cil quanto o do presidente Figueiredo: dentro dessas circunst&#226;ncias adversas, sua pol&#237;tica econ&#244;mica foi &quot;a melhor poss&#237;vel&quot;, conseguindo evitar que o barco da economia fosse a pique, tragado pela crise cambial. Agora, por&#233;m, h&#225; necessidade de reajustes e revis&#245;es em sua estrat&#233;gia. &lt;br /&gt;H&#225; uma surpreendente unanimidade no julgamento das linhas-mestras da pol&#237;tica econ&#244;mica do governo Figueiredo &#8211; com eventuais discord&#226;ncias em rela&#231;&#227;o, (...)


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&lt;a href="http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?mot7" rel="tag"&gt;Economia&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?mot10" rel="tag"&gt;Jornal Folha de S.Paulo&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Desde 1964, nenhum governo enfrentou uma situa&#231;&#227;o internacional t&#227;o dif&#237;cil quanto o do presidente Figueiredo: dentro dessas circunst&#226;ncias adversas, sua pol&#237;tica econ&#244;mica foi &quot;a melhor poss&#237;vel&quot;, conseguindo evitar que o barco da economia fosse a pique, tragado pela crise cambial. Agora, por&#233;m, h&#225; necessidade de reajustes e revis&#245;es em sua estrat&#233;gia.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;H&#225; uma surpreendente unanimidade no julgamento das linhas-mestras da pol&#237;tica econ&#244;mica do governo Figueiredo &#8211; com eventuais discord&#226;ncias em rela&#231;&#227;o, apenas, a aspectos parciais -, por parte das lideran&#231;as empresariais nas &#225;reas da ind&#250;stria, com&#233;rcio, agricultura e finan&#231;as. A coincid&#234;ncia de opini&#245;es fica clara nos depoimentos colhidos pela &#8220;Folha&#8221; junto a Albano Franco, presidente da Confedera&#231;&#227;o Nacional da Ind&#250;stria &#8211; CNI; Te&#243;filo de Azevedo Santos, da Federa&#231;&#227;o Nacional dos Bancos - Fenaban; F&#225;bio Meirelles, presidente Federa&#231;&#227;o da Agricultura do Estado de S&#227;o Paulo; Abram Szajman, presidente em exerc&#237;cio da Federa&#231;&#227;o do Com&#233;rcio do Estado de S&#227;o Paulo; Paulo Francini, diretor da Federa&#231;&#227;o das Ind&#250;strias do Estado de S&#227;o Paulo - Fiesp, e Ab&#237;lio Diniz, membro do Conselho Superior de Economia da Fiesp.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;A &#8220;heran&#231;a&#8221;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#8220;Quando ocorreu o primeiro &#8216;choque do petr&#243;leo', com a triplica&#231;&#227;o de seus pre&#231;os, em 1973, esse produto continuou a figurar como o terceiro item de maior peso na pauta de importa&#231;&#245;es brasileiras &#8211; lembra o empres&#225;rio Ab&#237;lio Diniz -, com o primeiro e segundo lugares cabendo &#224;s compras de bens de capital e produtos b&#225;sicos (a&#231;o, papel, metais n&#227;o-ferrosos, fertilizantes). Por isso mesmo (o que &#233; esquecido por muitos cr&#237;ticos, que de forma simplista dizem que o governo Geisel nada fez diante do &#8216;choque do petr&#243;leo'), o governo brasileiro, em 1974, partiu para um programa de grandes investimentos destinados a substitu&#237;rem as importa&#231;&#245;es daqueles produtos, mais onerosas para o Pa&#237;s&#8221; (sem falar que a grande eleva&#231;&#227;o na produ&#231;&#227;o de petr&#243;leo dependeria de eventuais descobertas de novos campos, isto &#233;, os investimentos nessa &#225;rea n&#227;o ofereciam certeza quanto &#224; possibilidade de &#234;xito, ao contr&#225;rio da substitui&#231;&#227;o dos demais produtos).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;O fato, rememora Ab&#237;lio Diniz, &#233; que o governo Geisel procurou solucionar os problemas da balan&#231;a comercial sem dar prioridade ao petr&#243;leo, por causa de seu peso relativamente menor na balan&#231;a. Quando sobreveio o &quot;segundo choque do petr&#243;leo&quot;, em 1979, com a eleva&#231;&#227;o de seus pre&#231;os para a faixa dos 30 d&#243;lares o barril, o Brasil e o governo Figueiredo, que ent&#227;o se iniciava, foram duramente atingidos. N&#227;o bastasse o peso do petr&#243;leo, aponta Diniz, houve ainda o &quot;choque das taxas de juros&quot;, com sua brutal eleva&#231;&#227;o nos mercados internacionais em 1981, somando-se a uma terceira adversidade, a saber, e situa&#231;&#227;o recessiva das economias dos pa&#237;ses industrializados.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Endossando esse diagn&#243;stico &#8211; como de resto os demais entrevistados -, Abram Szajman, presidente em exerc&#237;cio da Federa&#231;&#227;o do Com&#233;rcio de S&#227;o Paulo, lembra que esse quadro impediu que o governo Figueiredo estabelecesse uma estrat&#233;gia de longo prazo, sendo &#8220;obrigado&#8221; a viver o dia-a-dia, as m&#237;nimas mudan&#231;as de conjuntura, eternamente de olho no problema da d&#237;vida externa, da crise cambial&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;O grande erro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Aqui, Te&#243;filo de Azeredo Santos, Paulo Francini e Ab&#237;lio Diniz fazem uma ressalva, de restri&#231;&#227;o &#224; pol&#237;tica econ&#244;mica dos &#250;ltimos tr&#234;s anos. Diante da precariedade da situa&#231;&#227;o cambial brasileira, &#8220;os respons&#225;veis pela pol&#237;tica econ&#244;mica &#8211; diz Paulo Francini &#8211; cometeram tremendo erro ao colocar o &#8216;p&#233; no acelerador', em 1979/80. Esse erro nos custou, est&#225; nos custando e nos custar&#225; caro por muito tempo&#8221; &#8211; afirma o diretor da Fiesp, numa alus&#227;o &#224; pol&#237;tica de crescimento acelerado adotada pelo ministro Delfim Netto, logo ap&#243;s a queda de Simonsen, quando afirmava que &#8220;a d&#237;vida externa n&#227;o tem import&#226;ncia, o importante &#233; crescer&#8221;.
N&#227;o h&#225; d&#250;vida, diz Ab&#237;lio Diniz, que a pol&#237;tica de &#8220;cintos apertados&#8221; &#8211; ou a recess&#227;o &#8211; de 1981 foi uma conseq&#252;&#234;ncia desse erro, somando a outro, a saber, o &#8220;tabelamento&#8221; da corre&#231;&#227;o monet&#225;ria e da corre&#231;&#227;o cambial em 1980, que aqueceram ainda mais os neg&#243;cios e as importa&#231;&#245;es, agravando o problema da d&#237;vida externa. Da&#237; a necessidade do &#8220;aperto&#8221; de 81.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;H&#225; uma atenuante, para o primeiro desses erros dos planejadores do governo Figueiredo. &#8220;N&#227;o se pode esquecer &#8211; diz Francini &#8211; que havia forte press&#227;o em favor de uma pol&#237;tica desenvolvimentista, a ponto de provocar o afastamento de Simonsen. Com honestidade, devemos reconhecer que, errando ou n&#227;o, o governo atendeu aos reclamos da sociedade.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Uma atitude, em resumo, coerente com os prop&#243;sitos de &#8220;abertura&#8221; do presidente Figueiredo &#8211; &#225;rea em que as lideran&#231;as empresariais fazem os mais entusi&#225;sticos elogios ao seu governo. Para todos os entrevistados, o presidente Figueiredo vem cumprindo suas promessas de redemocratiza&#231;&#227;o do Pa&#237;s, considerando-se, mesmo que os eventuais trope&#231;&#245;es, como os chamados &#8220;pacotes&#8221;, s&#227;o desvios tempor&#225;rios que n&#227;o impedem que o caminho tra&#231;ado continue a ser percorrido, e independem, muitas vezes, da vontade do Presidente: &#8220;N&#227;o se pode esquecer que ele sofre a oposi&#231;&#227;o de &#225;reas contr&#225;rias &#224; redemocratiza&#231;&#227;o, precisando eventualmente recorrer aos desvios para aplac&#225;-las e poder seguir viagem, numa etapa seguinte.&#8221;
Albano Franco, da CNI, e F&#225;bio Meirelles, da Faesp, consideram ter havido brutal melhora no di&#225;logo, no entendimento entre empres&#225;rios e governo, que passou a consult&#225;-los nos temas ligados &#224; &#225;rea pol&#237;tica.
&#8220;Mesmo na &#225;rea econ&#244;mica&#8221;, aponta Albano Franco, &#8220;ningu&#233;m vai negar que continua a haver uma excessiva centraliza&#231;&#227;o de decis&#245;es, mas o fato &#233; que, pelo menos em rela&#231;&#227;o a alguns Minist&#233;rios e ao pr&#243;prio Presidente, o relacionamento &#233;, hoje, totalmente diferente de tr&#234;s anos atr&#225;s.&#8221; Confirmando essa opini&#227;o, F&#225;bio Meirelles e Abram Szajman apontam uma &#225;rea onde, no seu entender, o esp&#237;rito novo, de abertura, n&#227;o chegou: o segundo e terceiro escal&#245;es de tecnocratas, no seu entender, continuam a agir de forma autocr&#225;tica chegando, inclusive, a &#8220;torpedear&#8221; decis&#245;es adotadas pelos ministros e pelo Presidente.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Albano Franco lembra, como transforma&#231;&#227;o fundamental, que esse espa&#231;o criado pelo governo para a atua&#231;&#227;o dos empres&#225;rios trouxe a renova&#231;&#227;o das diretorias das entidades de classe, dando-lhes mais representatividade - e fechando o c&#237;rculo, maiores condi&#231;&#245;es de contribuir para o di&#225;logo com o governo, e para a abertura. Quanto &#224; centraliza&#231;&#227;o das decis&#245;es, ainda constatada, &#233; cren&#231;a dos l&#237;deres empresariais que ela ser&#225; gradativamente dilu&#237;da &#8211; principalmente ap&#243;s a realiza&#231;&#227;o das elei&#231;&#245;es de novembro, quando tamb&#233;m o Legislativo dever&#225; renovar-se e ganhar novo papel dentro do Pa&#237;s.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A atitude compreensiva para o governo Figueiredo, em seus tr&#234;s primeiros anos de vida, muda quando se pergunta sobre o futuro: predomina entre os empres&#225;rios a opini&#227;o de que &#233; preciso fazer reajustes urgentes na pol&#237;tica econ&#244;mica, sob pena de a economia aprofundar a recess&#227;o, e o Pa&#237;s mergulhar em uma crise social que poderia comprometer o pr&#243;prio processo de abertura.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Poder de impor pre&#231;os ficou muito reduzido</title>
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		<dc:subject>81-90</dc:subject>
		<dc:subject>Economia</dc:subject>
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		<description>Ao decidir, no final de 1979, elevar os pre&#231;os do petr&#243;leo para maia de 30 d&#243;lares o barril, a Opep &#8211; Organiza&#231;&#227;o dos Pa&#237;ses Exportadores de Petr&#243;leo &#8211; era respons&#225;vel por mais da metade da produ&#231;&#227;o mundial (52,6%), com 31 milh&#245;es de barris di&#225;rios. &lt;br /&gt;Esta semana, a organiza&#231;&#227;o vai realizar uma reuni&#227;o de emerg&#234;ncia em Viena, com o objetivo de cortar sua produ&#231;&#227;o para 18,5 milh&#245;es de barris di&#225;rios, ou apenas uns 30% do total mundial, numa tentativa desesperada de evitar novas quedas de pre&#231;os para o produto. Uma (...)


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Ao decidir, no final de 1979, elevar os pre&#231;os do petr&#243;leo para maia de 30 d&#243;lares o barril, a Opep &#8211; Organiza&#231;&#227;o dos Pa&#237;ses Exportadores de Petr&#243;leo &#8211; era respons&#225;vel por mais da metade da produ&#231;&#227;o mundial (52,6%), com 31 milh&#245;es de barris di&#225;rios.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Esta semana, a organiza&#231;&#227;o vai realizar uma reuni&#227;o de emerg&#234;ncia em Viena, com o objetivo de cortar sua produ&#231;&#227;o para 18,5 milh&#245;es de barris di&#225;rios, ou apenas uns 30%
do total mundial, numa tentativa desesperada de evitar novas quedas de pre&#231;os para o produto. Uma dura decis&#227;o para os pa&#237;ses da Opep, que, se tivessem compradores para o seu petr&#243;leo, poderiam estar produzindo, hoje, 41 milh&#245;es de barris por dia - e esperavam exportar de 50 a 55 milh&#245;es de barris di&#225;rios para o resto do mundo na segunda metade desta d&#233;cada.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Para os especialistas, mesmo que a Opep reduza sua produ&#231;&#227;o, ela dificilmente conseguir&#225; fazer com que, a curto prazo, o pre&#231;o do petr&#243;leo volte ao n&#237;vel de 34 d&#243;lares o barril (pre&#231;o base para o tipo ar&#225;bico leve, isto &#233;, os petr&#243;leos &quot;melhores&quot; custam um pouco mais; os &quot;piores&quot;, um pouco menos).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;E, pior ainda - para os pa&#237;ses da Opep: seu poderio, que lhe permitia impor pre&#231;os elevados, parece irremediavelmente perdido, a longo prazo.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Uma situa&#231;&#227;o nova, resultante da redu&#231;&#227;o no consumo mundial, aumento da produ&#231;&#227;o, descoberta de novas jazidas em todos os cantos da terra &#8211; tornados poss&#237;veis, por ironia, pela pol&#237;tica de pre&#231;os altos dos pa&#237;ses da Opep a partir de 1973 e, principalmente, a partir de 1979.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;Mudan&#231;a ignorada&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A histeria mundial em torno da &#8220;crise de energia&#8221;, a partir de 1973, alimentou proje&#231;&#245;es dantescas sobre o futuro do mundo, onde as economias industrializadas devoravam cada vez mais petr&#243;leo, cujas reservas acabariam por esgotar-se em &#8220;vinte ou trinta anos&#8221;. Mais uma vez, como &#233; comum acontecer em economia, essas an&#225;lises esqueciam que, a m&#233;dio prazo, todo problema provoca ou possibilita solu&#231;&#245;es.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Sempre se soube, por exemplo, que era poss&#237;vel &#8220;tirar&#8221; energia (substituindo o petr&#243;leo), de madeira, cereais etc. Por que isso n&#227;o era feito? Porque o petr&#243;leo era muito barato, e esse produto substitutivo ficava proporcionalmente mais caro, n&#227;o encontrando comprador. No entanto, quando os pre&#231;os do petr&#243;leo passaram de 3 d&#243;lares para mais de 30 d&#243;lares o barril, em menos de dez anos, a produ&#231;&#227;o desses substitutivos &#8211; &#225;lcool, lenha, carv&#227;o, xisto etc. &#8211; ficou vi&#225;vel, isto &#233;, seus pre&#231;os j&#225; podiam competir com o custo do petr&#243;leo.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;As decis&#245;es da Opep desencadearam, assim, em todo mundo, gigantescos programas de desenvolvimento de fontes alternativas de energia a partir de 1973/74 &#8211; e cujos projetos foram amadurecendo, entrando em opera&#231;&#227;o, a partir de 1977/80. Com a substitui&#231;&#227;o do petr&#243;leo por outras fontes de energia, o consumo mundial de petr&#243;leo deixou de crescer &#224;s taxas alucinadas que vinha apresentando, objetivo que foi alcan&#231;ado tamb&#233;m com a ajuda de medidas para racionalizar o consumo, tirando maior rendimento do petr&#243;leo (no caso dos autom&#243;veis, h&#225; o exemplo do Jap&#227;o, que j&#225; disp&#245;e de motores que gastam
apenas um litro de gasolina para cada 26 quil&#244;metros).&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;De um total de 64,5 milh&#245;es de barris em 1979, o consumo mundial caiu para 57 milh&#245;es de barris em 1981. A diferen&#231;a parece insignificante, de apenas 7 milh&#245;es de barris &#8211; exatamente por causa &#8220;economia invis&#237;vel&#8221; de petr&#243;leo, isto &#233;, a racionaliza&#231;&#227;o do seu uso.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Assim, al&#233;m dessa queda real &#233; preciso lembrar que o consumo - mantido o ritmo anterior &#224; &quot;crise&quot; &#8211; vinha crescendo &#224; raz&#227;o de quase 3 milh&#245;es de barris di&#225;rios, a cada ano: com isso, os 60 milh&#245;es de barris di&#225;rios gastos em 1977 deveriam crescer para 72 milh&#245;es de barris em 1981, ou 15 milh&#245;es de barris a mais do que os 57 milh&#245;es eletivamente consumidos.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&#201; essa a economia &#8211; 15 milh&#245;es de barris &#8211; a economia total obtida.
Uma situa&#231;&#227;o nova, resultante na redu&#231;&#227;o no consumo mundial, aumento da produ&#231;&#227;o, descoberta de novas jazidas em todos os cantos da Terra &#8211; tornados poss&#237;veis, por ironia, pela pol&#237;tica de pre&#231;os altos dos pa&#237;ses da Opep a partir de 1973 e, principalmente, a partir de 1979.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;&lt;strong class=&quot;spip&quot;&gt;Reverso da Medalha&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A eleva&#231;&#227;o dos pre&#231;os pela Opep n&#227;o estimulou, por&#233;m, apenas o desenvolvimento das fontes alternativas de energia: ela permitiu, tamb&#233;m, que po&#231;os de baixa produ&#231;&#227;o (como nos EUA) ou elevado custo de perfura&#231;&#227;o (como na plataforma submarina do Brasil e de outros pa&#237;ses) se tornassem &quot;vantajosos&quot;.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Mais claramente: com o petr&#243;leo a 3 ou 12 d&#243;lares, n&#227;o compensava gastar 50, l00 ou 200 milh&#245;es de d&#243;lares para descobrir, ou tentar descobrir um campo que, ao produzir, rendesse uma quantidade de petr&#243;leo de valor inferior aos gastos (at&#233; se esgotar). Com os pre&#231;os altos, isto mudou, e, em todo o mundo, ficou vantajoso perfurar a qualquer custo, nas situa&#231;&#245;es mais dif&#237;ceis.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Como conseq&#252;&#234;ncia da produ&#231;&#227;o nos pa&#237;ses n&#227;o pertencentes &#224; Opep cresceu rapidamente, como &#233; o caso do Brasil, que, de 170 mil barris em 1979 pulou para 270 mil barris di&#225;rios este ano. No reverso da medalha, estreitou-se o mercado para os pa&#237;ses da Opep.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;E reduziu-se o seu poder de impor pre&#231;os, assistindo-se, no momento, a uma &#8220;guerra&#8221; entre eles: aqueles que t&#234;m compromissos a pagar no Exterior, e precisam obter d&#243;lares a qualquer pre&#231;o para cobrir o &#8220;rombo&#8221; provocado pela queda em suas exporta&#231;&#245;es.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>N&#227;o &#233; o que parece</title>
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		<dc:subject>Jornal Folha de S.Paulo</dc:subject>

		<description>A ofensiva do presidente da Associa&#231;&#227;o Comercial de S&#227;o Paulo contra a pol&#237;tica salarial repete cr&#237;ticas j&#225; desmentidas nos &#250;ltimos meses; &lt;br /&gt;* Pequenas empresas &#8212; realmente, &#233; nelas que predominam os assalariados que ganham at&#233; tr&#234;s sal&#225;rios m&#237;nimos. Mas os dados da RAIS, analisados no trabalho &quot;Observa&#231;&#245;es sobre o padr&#227;o de emprego e remunera&#231;&#227;o nos estabelecimentos brasileiros&quot;, da FIPE-USP, mostram que, nos estabelecimentos com 5 a 10 funcion&#225;rios, esses assalariados ficam com apenas 40% da folha de (...)


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;A ofensiva do presidente da Associa&#231;&#227;o Comercial de S&#227;o Paulo contra a pol&#237;tica salarial repete cr&#237;ticas j&#225; desmentidas nos &#250;ltimos meses;&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;* Pequenas empresas &#8212; realmente, &#233; nelas que predominam os assalariados que ganham at&#233; tr&#234;s sal&#225;rios m&#237;nimos. Mas os dados da RAIS, analisados no trabalho &quot;Observa&#231;&#245;es sobre o padr&#227;o de emprego e remunera&#231;&#227;o nos estabelecimentos brasileiros&quot;, da FIPE-USP, mostram que, nos estabelecimentos com 5 a 10 funcion&#225;rios, esses assalariados ficam com apenas 40% da folha de sal&#225;rios. Quer dizer: o aumento de 10% de um INFC de 50% (se a infla&#231;&#227;o for 100% ao ano) representa 5%: logo, 5% de 40% da folha de sal&#225;rios representam 2%; se a folha de sal&#225;rios representar 10% ou 20% do faturamento, esses 2% se reduzem a 0,2% a 0,4% do faturamento de empresa. Isso, note-se, para os estabelecimentos com 5 a 10 funcion&#225;rios. At&#233; 20 funcion&#225;rios, a sobrecarga &quot;insuport&#225;vel&quot; de 0,2% a 0,4% do faturamento se reduziria, pois a fatia da folha de sal&#225;rios que cabe aos trabalhadores com at&#233; 3 sal&#225;rios m&#237;nimos &#233; cada vez menor, &#224; medida que a empresa cresce.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;* &#8220;Achatamento&#8221; da classe m&#233;dia &#8212; trabalhos da Federa&#231;&#227;o do Com&#233;rcio de S&#227;o Paulo j&#225; mostraram que o fen&#244;meno decorre de medidas do governo como o aumento do Imposto de Renda na fonte, inclusive atrav&#233;s da n&#227;o-atualiza&#231;&#227;o das tabelas, e aumento
das contribui&#231;&#245;es ao INPS. A lei, tem sido dito e repetido, n&#227;o pro&#237;be que as empresas reajustem os sal&#225;rios mais altos a n&#237;veis at&#233; superiores &#224; infla&#231;&#227;o. Ela estabelece o reajuste m&#237;nimo, n&#227;o o m&#225;ximo.&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;spip&quot;&gt;Em seu pr&#243;prio documento, o senhor Guilherme Afif Domingos, viu o &#8220;lobo&#8221;, ao mostrar que os problemas as empresas decorrem de falta de cr&#233;dito, juros altos, aumento do Imposto de Renda &#8212; isto &#233;, a culpa &#233; do governo, por a&#231;&#227;o ou omiss&#227;o. Preteriu atirar contra os cordeiros.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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